Café & Gente do IEL MT debateu desafios da migração e integração de trabalhadores no mercado de trabalho
podem contribuir para uma inserção profissional mais inclusiva
Os desafios enfrentados por pessoas migrantes para ingressar e se integrar ao mercado de trabalho foram tema central do Café & Gente, realizado na terça-feira (15), pelo Instituto Euvaldo Lodi de Mato Grosso (IEL MT). O encontro reuniu representantes do setor produtivo e especialistas para discutir como empresas podem contribuir para uma inserção profissional mais inclusiva, segura e alinhada às necessidades do mercado.
A programação contou com a participação de Thais La Rosa, Oficial Nacional de Projetos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), e Marcus Vinicius, consultor para Integração Socioeconômica da organização. Também participou Tiago Morinigo, coordenador de Recursos Humanos das Indústrias Marajá, que compartilhou a experiência do setor produtivo na gestão de pessoas.
Para o presidente do Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Sistema Fiemt), Silvio Rangel, discutir a inserção de migrantes no mercado de trabalho também significa olhar para as necessidades do setor produtivo e para o potencial de profissionais que chegam ao Estado em busca de novas oportunidades.
“A indústria precisa de pessoas qualificadas e, ao mesmo tempo, precisa estar preparada para acolher diferentes trajetórias e experiências. A migração faz parte das transformações da sociedade e do mercado de trabalho. Por isso, aproximar empresas, instituições e trabalhadores é fundamental para transformar oportunidades em inclusão, desenvolvimento profissional e geração de renda”, destacou Silvio Rangel.
A superintendente do IEL Mato Grosso e diretora regional do Senai Mato Grosso, Fernanda Campos, ressaltou a importância da qualificação profissional e do acolhimento para que a inserção dos migrantes aconteça de forma efetiva.
“Não basta conectar o trabalhador a uma vaga. É preciso criar condições para que ele compreenda o ambiente de trabalho, desenvolva suas competências e tenha acesso às oportunidades de crescimento. A formação profissional, aliada ao acolhimento e à informação, é um caminho importante para aproximar os migrantes das demandas das empresas e fortalecer a integração socioeconômica”, afirmou Fernanda Campos.
Integração vai além da contratação
A OIM, agência do Sistema das Nações Unidas, atua na promoção de uma migração segura, ordenada e digna. A organização considera a migração um fenômeno ligado às transformações demográficas e ao desenvolvimento sustentável e defende que, quando bem gerida, ela pode contribuir para sociedades e economias.
Durante o encontro, a discussão mostrou que a inclusão de trabalhadores migrantes no mercado não se resume à abertura de vagas. A chegada a um novo país envolve mudanças que vão desde o idioma e a burocracia até a adaptação à cultura e à dinâmica do ambiente de trabalho.
Entre os principais obstáculos apontados pela OIM estão as barreiras linguísticas e culturais, a dificuldade de acesso à informação, o desconhecimento sobre direitos e serviços, a falta ou fragmentação de redes de apoio, dificuldades de regularização documental e situações de xenofobia, racismo e outras formas de discriminação.
“A orientação inclui ações simples, como disponibilizar materiais traduzidos, explicar benefícios, apresentar a equipe, confirmar se as informações foram compreendidas e indicar uma pessoa de referência para acompanhar o profissional durante o período inicial”, destacou de Thais La Rosa, Oficial Nacional de Projetos da OIM.
Brasil tem mais de 2,2 milhões de migrantes internacionais
A dimensão do fenômeno também foi apresentada durante o encontro. Dados do Sistema de Registro Nacional Migratório (Sismigra), apresentados pela OIM, apontavam mais de 2,2 milhões de migrantes internacionais no Brasil, incluindo cerca de 65 mil pessoas refugiadas reconhecidas. Entre as principais nacionalidades estavam venezuelanos, portugueses, haitianos, bolivianos e argentinos.
O material também destacou que a legislação brasileira assegura aos migrantes, em condição de igualdade com os nacionais, direitos como acesso à documentação, saúde, assistência social, educação, trabalho, moradia, serviços bancários e seguridade social.
Para trabalhar formalmente no Brasil, a documentação apresentada pela OIM inclui o protocolo ou documento de residência ou refúgio, a Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM), a Carteira de Trabalho e o CPF.
Texto e fotos: Vívian Lessa
